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Vinhas Velhas

por Édi Mamede em

Vinhas Velhas
Vemos com muita frequência, em rótulos de vinho e comunicações várias dos mais distintos produtores, o termo “Vinhas Velhas”. São comunicadas como factor de diferenciação positiva, pelo que importa saber: O que são? O que valem?

O que são…

Quão velha é uma vinha velha? Esta é a questão, que tem de ter uma resposta clara, para assim entendermos o que as vinhas velhas nos podem dar.
Em território nacional não há regulamentação clara e objectiva sobre o tema. Há bom senso e liberdade. Houve um louvável movimento, sem força de lei, por parte de uma associação de produtores - PRODOURO que em 2018, definiu as vinhas velhas do Douro como as que foram plantadas até 1965 em “socalco pós-filoxérico”. Ou seja, além da idade da planta, esta definição tem em consideração a forma de plantação. Esta associação definiu assim o termo “Vinha Velha Histórica”, para evidenciar a sua especificidade.

Por outras bandas, no Novo Mundo, há regras claras, menos específicas que as acima referidas, mas claras. Em Barossa Valley, na Austrália, há o “Barossa Old Vine Charter” onde a contagem da vinha velha começa aos 35 anos e tem um sistema claro com nomes próprios até aos 125 anos. “Barossa Old Vine”, para vinhas de 35 ou mais anos; “Barossa Survivor Vine”, para vinhas de 70 ou mais anos; “Barossa Centenarian Vine”, para vinhas de 100 ou mais anos, e culmina com “Barossa Ancestor Vine”, com vinhas de mais de 125 anos. Ou seja, definiram uma mensagem clara, com nomenclaturas que ajudam o produtor e o consumidor a saber quão velha é a vinha e o que esperar desses vinhos. Na África do Sul, sob a chancela de uma viticultora respeitada - Rosa Kruger - houve a criação do “Old Vine Project”, tendo como referência os mesmos 35 anos de antiguidade para chamar “Old” a uma vinha. Provavelmente de inspiração australiana este valor, o termo “Old Vines” é tido e visto fundamentalmente em vinhos brancos de Chenin Blanc, para comunicar uma qualidade superior.

O que valem?

A primeira observação que creio pertinente, é por que motivo determinada vinha chegou a velha? Independentemente do local, a vinha é velha porque justifica o trabalho que dá versus o retorno que permite. Sendo a observação anterior válida ao longo de muito tempo. Não é boa por ser velha, é velha porque tem permitido bons resultados. O tempo aprofundou-lhe as raízes, diminui-lhe a produção, aprimorou o produto!

Assim, em vinhos que resultam de uvas de vinhas velhas, é de esperar, elegância, concentração, equilíbrio natural. Por ventura, aromas e sabores diferentes devem fazer parte do leque, dado que as castas de antigamente, podem ser (e são) normalmente diferentes das mais contemporaneamente usadas. Curiosamente muitas vinhas velhas nacionais, reflectem castas misturadas entre uvas tintas e brancas!

Agora que esclarecemos um pouco mais o que são “vinhas velhas”, importa que como consumidores, estejamos disponíveis para perfis de vinho mais delicados, menos directos, mais complexos, mais desafiantes. Como nação produtora, creio ser de fundamental necessidade clarificar, regulamentando o termo. Só assim protegeremos o património histórico, cultural, genético que estas áreas de vinha representam. E só assim respeitaremos a expectativa do consumidor sem ilusões.


Tiago Macena

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