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A grande cacofonia...

Jan 30 , 2015

A grande cacofonia...

Há dezenas de anos atrás, a marca “Rioja” era tão forte e importante, que muitos a chegavam a utilizar como sinónimo de “Vinho de Espanha”. E só recentemente é que outras regiões espanholas ganharam espaço, começando-se então a ouvir falar do “Priorat” e “Ribeira del Duero”, entre outras…mas Rioja ficou sempre como um grande exemplo de como é possível afirmar uma marca de origem a nível global.

Em Portugal, o país com uma das mais antigas regiões demarcadas do mundo, algumas das quase duas dezenas de comissões vitivinícolas (…cerca de 20...), que controlam mais de 50 (…mais de 50!...) regiões, sub-regiões e designações de origem, ainda muito recentemente reinventaram as suas designações: Ribatejo passou a Tejo; Estremadura a Lisboa e a designação “Vinho Regional Terras do Sado” a “Vinhos da Península Setúbal”.

Algumas destas alterações (reconheça-se) podem por si só ter trazido algum valor acrescentado; já quanto a outras, ainda é cedo para opinarmos. Mudar o nome sem o comunicar parece-se um pouco como aquela anedota do “António Cócó” que foi à Conservatória mudar o nome para “Aníbal Cócó”…mas enfim … caberá a cada CVR falar de si.

Sem dúvida que haverá produção de vinhos excelentes nas sub-regiões de “Terras de Azurara”, “Encostas d’Aire”, “Biscoitos” e “Portimão”, para apenas citar alguns exemplos, mas será que existe massa crítica para tornar essas sub-regiões sequer conhecidas em Portugal, já para não falar no estrangeiro?

Por que razão se tenta promover (em vez de “Alentejo” ou “Dão”) qualquer uma das 8 sub-regiões, que existem de facto em cada uma destas importantes denominações, ou por que obrigam os produtores a usar designações alternativas de “alentejano” “terras do Dão”? Como distingue um consumidor americano “Alentejano” de “Alentejo”? E um consumidor português? Como distingue? Será apenas por que em vez da casta “y” o vinho tem a casta “x”, a qual não tem lugar no “Índex”?

Aqui fica a questão: não seria mais importante defender verdadeiramente as marcas de denominação de origem nos registos de marca, nacional e extracomunitário, não se deixando registar nomes como “Conde de Oeiras, vinho DOC Carcavelos”, em Portugal, ou “Verde Sole", nos EUA, entre outros exemplos que se podiam continuar a citar? Ou ainda: de que vale ter uma sub-região DOC cuja designação é aquela que a maior cooperativa da zona põe em todos os seus vinhos regionais (a começar em 1 euro PVP)?

Acima tudo, convinha concentrarmo-nos em tornar grandes as nossas grandezas e não nos dedicarmos a fazer o contrário, já que temos menos de um quinto da dimensão da nossa vizinha Espanha.

                                                                                         Lisboa, 30 de Janeiro de 2015
                                                                                         O Narigudo

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