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Symington puxa o lustro à cockburn

Mar 17 , 2015

Symington puxa o lustro à cockburn

Se a ideia do grupo Symington era deixar o “trade” londrino de cara à banda, convertido ao passado e historial Cockburn em matéria de Porto Vintage, a avaliar pelo nível da prova tê-lo-ão conseguido. É que, se uma prova de Vintages é sempre algo invulgar, abrir os últimos exemplares de vinhos do século XIX será, como se diz por aquelas bandas, “once in a lifetime”…

Há 2 anos, os atuais proprietários da Cockburn realizaram um primeiro ensaio, trazendo à feitoria inglesa, na cidade do Porto, a fina flor da imprensa especializada. Então classificada como prova “one-off”, aí se abriram algumas das últimas garrafas do Vintage 1896 e na cave da Cockburn sobraram apenas 4 exemplares do 1912. Valeu o entusiasmo de Jancis Robinson e o correspondente artigo no Financial Times, mas não chegou para alterar a perceção do mercado em relação à marca. Pior, a crítica levou à letra o pretexto servido por Paul Symington na ocasião, e alguns regressaram a Inglaterra convencidos que tinham vindo ao Porto ajudar o anfitrião a redescobrir o perfil Vintage da Cockburn… Conselhos para memória futura e, segundo alguns, pasme-se, aplicação imediata no Vintage 2011.

Enfim, presunção cada um toma a que quer. E se a ideia ficou no ar, o objetivo não foi de todo alcançado. Não é fácil mudar a perceção do comércio, e do mercado em geral, sobre uma marca cujo vinho bandeira foi, durante décadas, o Special Reserve, um ruby vendido em todo o mundo a 10 euros a garrafa. Não se substitui a etiqueta “mass market” por outra “fine wine” da noite para o dia. Muito menos numa casa que andou em bolandas quando a Allied Domecq foi desmembrada (em 2005), primeiro para a Pernod Ricard, depois para a Beam Global, até parar nas mãos do grupo Symington; uma marca que carrega, na categoria máxima de Porto, o peso de não ter declarado anos lendários como 1945, 1948, 1966 e 1977. Por exemplo, a opção pelo 1967 em vez do ano anterior, unânime na indústria de Porto, foi o tipo de decisão que ainda hoje pesa sobre os ombros da Cockburn.

Tudo somado e aproveitando o bicentenário da Cockburn, a família Symington desta vez foi direta à fonte. Levou todas as preciosidades que se encontravam na cave de Gaia para Londres e, a semana passada, presenteou a elite dos comerciantes locais com uma prova extraordinária. Incluindo o que na gíria se designam “filhas únicas”, leia-se últimas garrafas existentes do Vintage 1868 e, como senão bastasse, abrindo também o último 1863! Diz quem provou que ambos estavam ainda em excelente estado.

Paul Symington podia ter lembrado os presentes que Londres ainda não tinha metropolitano quando aqueles vinhos foram feitos, mas o líder do grupo preferiu expressar um sentimento mais pessoal: “com o Johnny, Rupert, Dominic, Charles e a minha filha Charlotte, tivemos a mais extraordinária experiência vínica das nossas vidas, esta semana, com um pequeno grupo de amigos do comércio de vinho. Nunca mais faremos uma prova assim, foi uma experiência única”. Experiência completada com algumas das últimas garrafas do lendário Vintage 1908, para alguns conhecedores o melhor Vintage da Cockburn e um dos grandes da história do vinho do Porto, para além de algumas gloriosas colheitas nunca declaradas pela casa, como os 1918 e 1934.

A ponto do atual proprietário, desta vez, muito mais do que redefinir um perfil Vintage, ter assumido o desejo de pôr a marca de novo no mapa das categorias especiais de vinho do Porto. Quem tem vinhos para um evento desta dimensão pode com certeza aspirar ao melhor. Tem a palavra o mercado.

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